Introdução
No fim da nossa viagem pela China, entramos em uma parte do roteiro que parecia quase de outro país: Zhangye Danxia e Badain Jaran. Depois de cidades antigas, templos, montanhas verdes e vales cheios de água, chegamos a uma China repleta de paisagens totalmente diferentes do imaginário mais comum do país.
Zhangye Danxia foi o nosso encontro com as “Rainbow Mountains” da China: formações em camadas de vermelho, laranja, amarelo e cinza, moldadas por milhões de anos de sedimentação e erosão, em um tipo de relevo conhecido como Danxia, encontrado apenas no país e reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial.
Neste post, reunimos como encaixamos Zhangye Danxia, o Pingshanhu Grand Canyon e Badain Jaran na nossa viagem, o que vivemos em cada lugar e as informações práticas para você montar seu próprio roteiro pelo deserto, pelo canyon e pelas montanhas coloridas da China.
No vídeo abaixo, você também consegue ver como foi a nossa experiência com todos os detalhes.
Como ir e onde ficar
Zhangye e Badain Jaran ficam no noroeste da China, entre a província de Gansu e a região da Mongólia Interior. Eles podem entrar em diferentes momentos do roteiro pela China, mas costumam aparecer em combinações com destinos como Xining, Chengdu, Zhangjiajie ou mesmo Beijing, especialmente em viagens que incluem o eixo da antiga Rota da Seda.
Como chegar
Zhangye geralmente é a base para visitar o Zhangye Danxia National Geological Park. Você pode chegar à cidade:
- De avião, via aeroporto de Zhangye Ganzhou, com voos a partir de cidades maiores da China;
- De trem de alta velocidade, combinando o trajeto com outros pontos da antiga Rota da Seda, como Lanzhou ou Jiayuguan.
Já o acesso ao Deserto de Badain Jaran normalmente é feito a partir de Zhangye ou Jinchang, seguindo de carro ou ônibus até Badain Jaran Town (Badanjilin Zhen), a cidade-base mais próxima do parque.
A partir daí, o trecho até o interior do deserto é feito em veículos 4×4, com motoristas experientes que conhecem bem o terreno. De Zhangye até Badain Jaran Town, a viagem de carro leva em torno de 3 a 5 horas, dependendo da rota e das condições da estrada.
No nosso roteiro, usamos Zhangye como ponto de apoio para visitar primeiro o Zhangye Danxia e, depois, seguir para Badain Jaran. Essa lógica funciona bem para quem quer um combo de montanhas coloridas + deserto.
Onde ficar em Badain Jaran e Zhangye Danxia
Em Zhangye, nós ficamos no Zhangye Hotel, na região central da cidade. Essa base facilitou os deslocamentos até o Zhangye Danxia e também a organização do transporte para o deserto de Badain Jaran com agência/local driver. Ter um hotel confortável, com bom café da manhã e fácil acesso a mercados e restaurantes fez muita diferença depois de dias longos de sol, estrada e mirantes.
Chegando ao deserto, passamos a primeira noite no Badain Lake Scientific Research Station Hotel, que funciona como base antes de entrar de fato na área das grandes dunas.
No dia seguinte, seguimos de 4×4 para o interior do deserto e dormimos em uma yurt no Badain Jaran Desert Yurt. As acomodações são simples, mas confortáveis o suficiente para descansar bem, e estar ali, já cercado pelas dunas, transforma a noite em parte essencial da experiência, não só um detalhe do roteiro.

Dia 1: Montanhas coloridas no Zhangye Danxia National Geopark
Zhangye Danxia fica na província de Gansu, em uma área que já fez parte da antiga Rota da Seda. Durante séculos, caravanas cruzaram essa região ligando a China ao restante da Ásia, mas só recentemente as montanhas coloridas começaram a ganhar fama entre viajantes. Caminhar pelos mirantes hoje é, ao mesmo tempo, ver um fenômeno geológico único e imaginar quantas histórias já passaram por esses vales muito antes do parque virar atração turística.
Como funciona o parque de Zhangye Danxia
O Zhangye Danxia National Geological Park fica a cerca de 30–40 km da cidade de Zhangye, em uma área que se tornou famosa pelas “Rainbow Mountains” chinesas.
O parque é todo estruturado para visitação. Na entrada oficial você compra o ingresso combinado com o transporte interno e encontra o básico para começar o dia: banheiros, lojinha e área de espera. A partir dali, os ônibus circulares levam os visitantes pelos principais mirantes em um circuito de mão única, o que evita trânsito e deixa tudo mais organizado.
O funcionamento é simples: você embarca no ônibus, desce em cada ponto de observação, caminha pelas passarelas, vê a paisagem de diferentes ângulos, faz fotos com calma e depois pega outro ônibus até o próximo mirante. Como não é permitido dirigir lá dentro, esse sistema facilita muito o roteiro, você só precisa escolher quanto tempo quer ficar em cada parada e seguir no seu próprio ritmo.
Cores, camadas e melhor horário para ver o parque
O que faz Zhangye Danxia ser tão diferente é justamente o conjunto de cores: camadas de vermelho, laranja, amarelo e cinza, em linhas suaves, moldadas pela ação do tempo em rochas sedimentares ricas em minerais.
A luz ao longo do dia muda completamente a forma como Zhangye Danxia aparece. Sob o sol forte do meio-dia, o visual continua bonito, mas as sombras tendem a ficar mais chapadas e as cores um pouco menos marcadas. No fim da tarde, as faixas de cor ganham mais profundidade e contraste, com a luz baixa destacando melhor o relevo. Depois de chuva, o solo costuma parecer mais saturado, deixando os tons ainda mais intensos.
Por isso, muita gente considera o fim da tarde o melhor horário para visitar o parque ou, pelo menos, para concentrar mais tempo nos mirantes. Descer do ônibus interno com calma, caminhar pelas plataformas, observar as linhas de cor de diferentes ângulos e esperar a luz mudar costuma fazer bastante diferença na experiência e nas fotos.
Dicas valiosas para visitar Zhangye Danxia
Algumas dicas que podem te ajudar a ter uma experiência mais confortável no seu passeio:
- Use roupas leves, mas leve uma camada extra se for ficar até o fim da tarde (o vento pode esfriar um pouco);
- Vá de tênis confortável, porque as passarelas envolvem subidas e descidas;
- Leve água, protetor solar e chapéu/boné, já que boa parte do trajeto é a céu aberto;
- Se possível, planeje chegar no meio da tarde e ficar até o pôr do sol.

Dia 2: Estrada e Pingshanhu Grand Canyon
O trajeto de Zhangye até a região de Badain Jaran leva, em média, cerca de 3-5 horas de carro, dependendo da rota e das condições da estrada. É um caminho que vai mudando de cenário aos poucos: primeiro campos mais abertos, depois formações rochosas e, por fim, as paisagens mais áridas que anunciam a proximidade do deserto.
No meio do percurso, fizemos uma parada panorâmica no Pingshanhu Grand Canyon, um desfiladeiro formado por milhões de anos de erosão, com paredes de rocha em tons avermelhados e formas que lembram labirintos. Essa região faz parte do conjunto de paisagens típicas do noroeste da China e funciona como uma transição visual entre as montanhas coloridas de Zhangye e a imensidão de areia que vem depois.
A parada no cânion é relativamente rápida, mas vale a pena: dá para caminhar por alguns mirantes, observar o desenho das rochas e ter uma ideia de como o relevo da região foi sendo esculpido com o tempo.

Em seguida, a estrada segue em direção a Badain Jaran Town, o pequeno povoado que serve como base de apoio para quem vai entrar no deserto.
Chegando à região do deserto, nós passamos a primeira noite no Badain Lake Scientific Research Station Hotel, um hotel simples, mas muito bem localizado para quem vai começar o passeio cedo no dia seguinte. Ele fica próximo a um dos lagos da área, o que já dá um primeiro contato com o cenário de água em meio ao ambiente árido.
Dia 3: Badain Jaran, o deserto dos lagos misteriosos
No terceiro dia do nosso roteiro, conhecemos o Deserto de Badain Jaran, na Região Autônoma da Mongólia Interior. É uma área imensa, com cerca de 49.000 km², considerada um dos maiores desertos da China e conhecida por abrigar algumas das dunas estacionárias mais altas do mundo, muitas passando dos 500 metros de altura.
Além da areia, Badain Jaran é famoso pelos mais de cem lagos que aparecem entre as dunas, muitos alimentados por aquíferos subterrâneos. Alguns são de água doce, outros extremamente salinos, e essa combinação rara de dunas gigantes e espelhos d’água é o que torna o lugar tão diferente de outros desertos.
Em mongol, “Badain Jaran” costuma ser traduzido como “lagos misteriosos”, justamente por causa desse contraste.
Passeio pelo Deserto de Badain Jaran: dunas gigantes, lagos e 4×4
A entrada em Badain Jaran é feita em veículos 4×4 preparados, sempre com motoristas experientes, porque o terreno é formado por dunas altas, descidas íngremes e trechos em que não existe “caminho” visível. A navegação depende muito do conhecimento local.
Também é possível fazer passeio de camelo, seguindo em grupo por trechos de areia mais planos. Não é obrigatório, mas para quem quiser viver essa experiência clássica de deserto, vale considerar: o ritmo é lento, o cenário é aberto e a sensação de atravessar as dunas montado no camelo dá outra perspectiva de Badain Jaran.
À medida que o carro avança, as referências vão diminuindo: a estrada asfaltada some, o povoado fica para trás e o horizonte passa a ser dominado só por ondas de areia. Em alguns pontos, as dunas chegam a mais de 300–500 metros de altura, criando um relevo monumental que muda de desenho conforme o vento e a luz do dia.
O que torna Badain Jaran tão especial são justamente os lagos que aparecem entre essas dunas. Alguns são pequenos espelhos d’água, outros formam verdadeiras lagoas cercadas de areia por todos os lados. A cor varia: verde, azul mais escuro, às vezes tons ligeiramente rosados, dependendo da profundidade e da concentração de sal e minerais.
Ao longo do passeio, o roteiro costuma incluir:
- Paradas em mirantes naturais para observar a escala das dunas;
- Tempo livre em áreas próximas aos lagos, onde dá para caminhar com calma, fotografar e perceber como a água muda completamente a atmosfera do deserto;
- Trechos mais “radicais” de 4×4, subindo e descendo dunas altas, sempre com segurança, mas com aquele frio na barriga que faz parte da experiência.
Não é um passeio de “pontos turísticos” clássicos com placas e estruturas grandes. É mais uma sequência de paisagens, com o guia/motorista escolhendo as melhores paradas conforme o clima, a luz e o tempo disponível.
Silêncio, entardecer e noite em uma yurt no meio das dunas
Uma das partes mais marcantes de Badain Jaran é o silêncio. Longe das estradas e dos vilarejos, o som principal passa a ser o vento, às vezes a própria areia se movimentando, e os passos sobre o solo. É o tipo de lugar em que a viagem desacelera por conta própria: o tempo de olhar aumenta, as conversas diminuem e a paisagem ocupa mais espaço.
No fim da tarde, a luz do deserto muda. As dunas começam a ganhar tons mais quentes, as sombras ficam mais longas e os lagos refletem o céu com muito mais nitidez. Se o céu estiver limpo, o pôr do sol vira um espetáculo lento, com camadas de cor se espalhando pelo horizonte.
Para fechar esse dia, nós dormimos em uma yurt no Badain Jaran Desert Yurt, um acampamento em estilo mongol montado no meio das dunas. As yurt hoje são adaptadas para receber viajantes: cama confortável, estrutura simples, mas acolhedora, e aquele conforto suficiente para descansar bem depois de um dia inteiro no deserto.
À noite, a temperatura cai bastante, o céu se enche de estrelas e a sensação é de estar muito distante de qualquer cidade e, ao mesmo tempo, exatamente onde se queria estar. No dia seguinte seguimos viagem de volta, com a sensação de que Badain Jaran não foi só um passeio, mas um encerramento em grande escala para a parte da China ligada à natureza mais extrema.
Se você estiver montando um roteiro que inclua Zhangye Danxia e Badain Jaran, faz bastante sentido reservar um dia para o deslocamento com parada no Pingshanhu Grand Canyon e, pelo menos, um dia inteiro para o deserto, com pernoite em uma yurt. Isso transforma Badain Jaran de “bate-volta corrido” em uma experiência que realmente dá tempo de ser vivida.

Conclusão
Badain Jaran e Zhangye Danxia são daqueles lugares que mudam a forma como a gente guarda a China na memória. Em Zhangye Danxia, as montanhas coloridas mostram um lado mais geológico e histórico do país: camadas de rocha que contam milhões de anos em faixas de vermelho, laranja e amarelo, bem ali, diante dos mirantes. É o tipo de paisagem que faz a gente lembrar que a China não é feita só de cidades antigas e templos.
Já o deserto de Badain Jaran leva essa sensação de contraste para outro nível. Dunas altíssimas, lagos escondidos entre a areia, silêncio quase absoluto, estrada com parada no Pingshanhu Grand Canyon e uma noite dormindo em yurt no meio das dunas formam um capítulo que mistura imensidão, introspecção e um pouco de aventura.
Para reservar seus passeios por Zhangye Danxia, clique aqui para utilizar o nosso link no Get Your Guide. Você não paga nada a mais por isso, e ainda ajuda o crescimento do nosso canal.
Para famílias, casais ou viajantes solo, combinar Zhangye Danxia e Badain Jaran funciona muito bem como um trecho de contraste dentro de uma viagem maior: você pode encaixar esse pedaço depois de cidades como Shanghai, ou junto dos nossos roteiros por Luoyang, Huangshan, Fenghuang e Furong, Zhangjiajie ou Chengdu, Jiuzhaigou e Xining, criando uma rota que passa por metrópoles, vilarejos históricos, parques nacionais e, por fim (ou no meio), esse encontro entre montanhas coloridas e um deserto cheio de lagos “misteriosos”.
Se quiser acompanhar essa experiência de perto, no nosso Instagram e no YouTube mostramos todos os bastidores, as escolhas de roteiro e os momentos mais marcantes de toda nossa viagem pela China.






