Bate-volta Curitiba: trem Serra Verde, Morretes e Vila Velha com as crianças

Se você está planejando visitar Curitiba e tem mais tempo pela cidade, esses dois roteiros que a gente fez em um bate-volta vão mudar o seu plano.

O primeiro deles é o passeio mais clássico e mais conhecido de Serra Verde de trem até Morretes. Mas além dele, uma opção pouco falada e que parece cenário de outro país é o Parque Estadual de Vila Velha e a Colônia Wittmarsum.

Caso você ainda esteja montando seu roteiro por Curitiba, nesse post deixamos mais dicas do que fazer e os principais pontos turísticos pela cidade.

E no vídeo do youtube abaixo, você pode ver mais detalhes do nosso passeio por Morretes. No canal você também encontra um vídeo completo do nosso dia em Vila Velha.

O trem Serra Verde Express: de Curitiba a Morretes por dentro da Mata Atlântica

Morretes é uma das cidades mais antigas e preservadas do Paraná, fundada em 1733, encravada entre a Serra do Mar e o litoral, com casarões coloniais, ruas de pedra e o Rio Nhundiaquara cortando o centro histórico.

Chegar até ela de trem, descendo a serra por dentro da Mata Atlântica, é uma das experiências mais marcantes que o Sul do Brasil tem a oferecer — e foi exatamente isso que a gente fez.

A ferrovia e a história por trás dos trilhos

O Serra Verde Express faz o trajeto de 110 quilômetros até Morretes, vencendo um desnível de mais de 900 metros entre o planalto e o litoral. São aproximadamente quatro horas e meia de viagem, por dentro de um dos trechos mais preservados de Mata Atlântica do Brasil.

No caminho, o trem passa por 41 pontes e 13 túneis escavados em rocha. A cada curva, a paisagem muda. A gente acompanhava rios cristalinos, abismos e vales que apareciam e sumiam pela janela. É um tipo de cenário que deixa todo mundo em silêncio, admirando a imensidão da paisagem.

Trem Serra Verde Express: de Curitiba a Morretes.

A ferrovia foi projetada pelos irmãos Rebouças, os primeiros engenheiros negros do Brasil — filhos de pai autodidata e netos de escrava alforriada, que tiveram a oportunidade de estudar na Europa em pleno período de escravidão. As obras foram executadas em três trechos simultâneos e finalizadas em 5 de fevereiro de 1885.

É considerada uma obra-prima da engenharia mundial até hoje. O trajeto é reconhecido pelos jornais The Guardian e The Wall Street Journal como um dos melhores passeios de trem do mundo.

A Serra Verde Express opera os trens turísticos desde 1997, com diferentes categorias de vagões: da classe econômica até opções boutique com varanda panorâmica. Desde então, mais de 4,5 milhões de passageiros já embarcaram nessa experiência.

A Litorina Luxo e o serviço de bordo

Para esse bate-volta optamos pela Litorina Luxo, no vagão Curitiba. Além dele, existem os vagões Copacabana e Foz do Iguaçu, todos da categoria luxo. Nos três, o serviço de bordo inclui um lanche durante o trajeto.

No embarque, a gente recebeu um mapinha com todo o trajeto. Ele vai indicando os pontos de interesse, as pontes e as cascatas ao longo do percurso. A mais famosa delas é o Véu da Noiva. Dá para ir acompanhando todo o trajeto e os principais pontos no papel enquanto o trem avança.

Uma dica importante: dê preferência às janelas do lado esquerdo no sentido Curitiba-Morretes. É por esse lado que aparecem as vistas mais bonitas da descida. E se quiser fotografar o trem em movimento nas curvas, o último vagão com a varanda panorâmica é o melhor ponto.

Como a circulação entre vagões é proibida, fique atento a isso na hora de reservar pelo site da Serra Verde Express.

Outro detalhe prático: caso queira comprar bebidas dentro do trem, leve dinheiro em espécie, não há sinal durante o trajeto para uso de cartão ou Pix.

O que fazer com a volta para Curitiba: trem, van ou ônibus

O passeio completo da Serra Verde Express inclui, além do trem, o almoço em Morretes, uma visita a Antonina e ao Geopark, e a volta pela Estrada da Graciosa de van. As vans deixam os passageiros nos hotéis ou em um raio de sete quilômetros da rodoviária de Curitiba.

No nosso caso, já tínhamos feito o passeio completo em outra ocasião. Por isso, dessa vez a gente só pegou o trem e voltou de ônibus da rodoviária de Morretes. Como a gente mora em Curitiba, essa opção funcionou bem. Mas, se for a sua primeira vez, o pacote completo vale pela experiência toda organizada.

Independente da opção de volta, reserve com antecedência. O passeio atrai mais de 250 mil visitantes por ano na região, e o trem costuma lotar especialmente nos fins de semana e feriado.

Litoriana Luxo, por dentro do vagão Curitiba.

Morretes: o centro histórico e o tradicional barreado

Depois de quase cinco horas de viagem, desembarcamos em Morretes com aquela sensação de ter chegado em outro mundo. O calor bateu na hora. Quem vem do planalto de Curitiba estranha, porque a diferença de temperatura é imediata.

Morretes foi fundada em 1733 e é uma das cidades mais antigas e preservadas do Paraná. O centro histórico tem casarões coloniais bem conservados, ruas de pedra e uma orla à beira do rio que concentra boa parte dos restaurantes e do comércio local.

Passear por ali é muito gostoso, especialmente quando o movimento está tranquilo. Para quem faz o passeio completo, as vans já aguardam na chegada e levam direto para o almoço.

O barreado: a receita e o ritual à mesa

O barreado é o prato mais tradicional do litoral paranaense, com mais de 200 anos de história. A receita chegou à região com comunidades açorianas no século XVIII, e os registros mais antigos indicam a vila de Guaraqueçaba como a disseminadora original da receita. O nome do prato vem da expressão “barrear” a panela, com um pirão de farinha de mandioca, para evitar que o vapor escape durante o cozimento.

A carne bovina, com cortes como paleta, maminha ou patinho, é temperada com cebola, alho, bacon, pimenta-do-reino, louro e cominho, e cozida lentamente em panela de barro vedada por horas. O cozimento pode durar de 16 a 24 horas no preparo tradicional — tempo suficiente para a carne desmanchar completamente no caldo. É servido com farinha de mandioca, arroz e banana. O segredo está em misturar bem a farinha no caldo bem quente, deixando ela cozinhar ali mesmo no prato.

Com o início do ciclo do tropeirismo no Paraná, Morretes virou parada obrigatória dos tropeiros que seguiam em direção a São Paulo — e o barreado era o que eles buscavam para matar a fome. Séculos depois, o ritual à mesa continua o mesmo. No restaurante onde a gente almoçou, o garçom explicou tudo antes de servir.

Barreado: o prato mais tradicional do litoral do Paraná.

Parque Estadual de Vila Velha próximo a Curitiba

O Parque Estadual de Vila Velha fica a cerca de 1H30 de carro de Curitiba, na região de Ponta Grossa, nos Campos Gerais. Foi o primeiro parque estadual criado no Paraná, em 1953

.Recentemente ele foi reconhecido oficialmente como Patrimônio Histórico e Cultural do Paraná, com destaque para a relevância ambiental, geológica, paisagística e científica.

Para quem quer aproveitar o parque com mais calma, o ideal é sair cedinho de Curitiba, porque o parque tem horários fixos de ônibus internos e as bilheterias funcionam só até as 15h. Além disso, o parque não abre às terças-feiras.

Dentro do parque, não é permitida a circulação de carros particulares. Todo o transporte é feito por ônibus próprios, com horários marcados para cada atração.

O roteiro interno passa por três áreas principais: os Arenitos, a Lagoa Dourada e as Furnas. Os ônibus para Lagoa Dourada e Furnas saem a cada uma ou duas horas, então é preciso ficar bem atento aos horários.

A trilha dos Arenitos no Parque Estadual de Vila Velha

As formações rochosas têm origem no período Carbonífero, há aproximadamente 340 milhões de anos, quando um mar interior que existia no local começou a ser drenado, expondo o material arenoso que acabou cimentado com óxido de ferro — daí a cor avermelhada característica.

O resultado, moldado por milhões de anos de vento e chuva, são esculturas naturais que chegam a 20 ou 30 metros de altura e lembram uma cidade medieval com castelos e torres em ruínas — e foi daí que veio o nome Vila Velha.

A trilha é toda pavimentada, com aproximadamente 2,6Km de extensão total. Tem subida, descida, escadaria e alguns trechos com mata fechada, mas nada desafiador. Achamos a trilha bem tranquila e adequada para todas as idades.

A trilha não permite pisar na grama em nenhum trecho. Em dias de chuva, os trechos molhados ficam bem escorregadios, então vale levar calçado fechado com solado antiderrapante.

Ao longo do caminho, placas indicam as formações e o que cada uma representa. As formações têm nomes como o leão, o camelo, o índio, a proa do navio, a águia, o caracol, o gato e a famosa taça, que é a mais fotografada de todas.

Algumas são fáceis de reconhecer, outras pedem um pouco de imaginação. As crianças adoraram tentar achar cada figura antes de olhar para a placa.

Trilha dos Arenitos no Parque Estadual de Vila Velha.

Lagoa Dourada e o Complexo das Furnas

Depois dos Arenitos, a gente pegou o ônibus para a Lagoa Dourada. A trilha até lá é curta, cerca de 400 metros, com mirantes para contemplar a água.

A lagoa tem cerca de 300 metros de diâmetro e fundo constituído de mica, que projeta aquela tonalidade dourada na superfície. A gente não chegou a ver essa coloração no dia, mas o lugar em si é bonito e tranquilo.

Por último, as Furnas são cavidades naturais com bocas circulares de aproximadamente 100 metros de diâmetro e paredes verticais que atingem mais de uma centena de metros de profundidade, formadas pelo desmoronamento do teto de arenito sobre vazios deixados pela dissolução de calcário no subsolo.

A tirolesa: a atividade favorita do dia

Foi nas Furnas que as crianças encontraram o ponto alto do dia: a tirolesa. São 200 metros de extensão sobre uma das furnas, com o último horário às 16h30. Além da tirolesa, há também a opção de rapel. A gente foi na tirolesa, e a animação foi total.

Tirolesa no Complexo das Furnas.

Colônia Wittmarsum: queijo artesanal, confeitaria e o ritmo de uma comunidade menonita

Depois de Vila Velha, a gente seguiu para a Colônia Wittmarsum. Ela nunca foi pensada como atração turística — e isso é exatamente o que a torna tão especial.

Os menonitas da colônia têm origem na Frísia, região que hoje compreende o norte da Holanda e da Alemanha, onde foram perseguidos por suas crenças desde o século XVI. Após migrarem para a Rússia no século XVIII, deixaram o país em 1929 fugindo do regime comunista, chegaram ao Brasil em 1930 e, após um período em Santa Catarina, fundaram a Colônia Wittmarsum no Paraná em 1951 com a compra da Fazenda Cancela.

Ou seja: esse povo atravessou continentes por séculos em busca de um lugar onde pudesse viver conforme sua fé e seus costumes. E foi ali, nos Campos Gerais do Paraná, que encontrou.

Isso explica a paisagem, o ritmo e o silêncio que a gente encontra ao chegar. Campos abertos, estradas tranquilas, casas simples. A sensação é de ter voltado no tempo algumas décadas.

Para quem vem de cidade grande, o contraste é quase físico. A gente sente o ritmo mudar assim que entra na estrada da colônia. Hoje a colônia tem cerca de 2 mil habitantes e 7.800 hectares, e preserva aspectos originais de arquitetura, culinária e linguagem — o alemão ainda é falado no dia a dia entre os moradores.

A Kaff En Brut e os produtos coloniais

Como passamos na Colônia no mesmo dia que visitamos Vila Velha, o horário estava apertado. Então apenas paramos na Kaff En Brut, uma panificadora e confeitaria local. O espaço tem um ambiente charmoso, estilo alemão, com mesas para tomar um lanche à tarde.

O restaurante Bierwitt, ao lado, é um dos mais tradicionais da colônia para quem quer comer joelho de porco e pratos alemães. O cardápio inclui clássicos como marreco recheado, kassler e spätzle, além do eisbein. Nos fins de semana ele fica muito cheio, então vale reservar antes.

A loja de queijos e os produtos da fábrica

Antes de voltar para Curitiba, fizemos uma parada estratégica na loja oficial da fábrica de queijos da colônia, que também funciona como centro de informações. A cooperativa produz pelo menos 20 toneladas de queijo por mês e processa 25 mil litros de leite diariamente, abastecendo mercados em todo o Paraná.

O espaço tem raclette, gouda, queijos azeitados e outros tipos artesanais, além de presunto cru, chocolates, cervejas artesanais e temperinhos.

Uma dica para quem tiver tempo: aos sábados pela manhã funciona uma feirinha do pequeno produtor em frente ao colégio, com produtos direto de quem cultiva.

Como planejar o bate-volta saindo de Curitiba: dicas práticas

Morretes: o que reservar antes de ir

O passeio de trem da Serra Verde Express precisa de reserva antecipada, especialmente nas categorias de luxo. O site oficial permite escolher o vagão e o sentido da viagem. Para o trajeto Curitiba-Morretes, reserve os assentos do lado esquerdo, onde ficam as melhores vistas.

Para reservar o seu passeio é só clicar aqui.

Vila Velha e Wittmarsum: como encaixar os dois no mesmo dia

Dá para fazer os dois no mesmo dia, mas é um pouco corrido. Se quiser incluir a Colônia Wittmarsum sem pressa, o ideal é sair de Curitiba bem cedo e já levar um lanche na bolsa para não depender tanto dos horários do restaurante do parque.

Para quem quer curtir com mais calma, o melhor é separar um dia para cada passeio. Vila Velha com o dia inteiro e Wittmarsum com a tarde livre para sentar em um café colonial, explorar as lojas e fazer piquenique. Algumas propriedades da colônia oferecem cestas de piquenique, o que combina muito com o ritmo do lugar.

Quando ir e o que levar

Vila Velha funciona durante a semana com menos movimento, o que é ótimo para famílias com crianças. Nos fins de semana, o parque fica mais cheio e o restaurante Bierwitt na colônia lota.

Para a trilha dos Arenitos, leve calçado fechado, protetor solar e uma jaqueta leve, porque o tempo na região pode mudar rápido.

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Conclusão

Esses dois roteiros de bate-volta saindo de Curitiba mostraram para a gente que a região guarda muito mais do que o Jardim Botânico e o Museu Oscar Niemeyer. Tanto Morretes, quanto Vila Velha e a Colônia são passeios deleciosos, para se permitir desacelerar e apreciar a natureza da região.

Por isso, se você está vindo por Curitiba com um pouco mais de tempo, não hesite em incluir esses passeios em seu roteiro. Principalmente se estiver com as crianças. Ver as crianças coladas na janela do trem admirados com a imensidão da paisagem e também se divertindo com as rochas no parque em Vila Velha, não tem preço!

Se você está pensando em conhecer o Sul do Brasil ou procurando um destino que combine natureza, cultura e história em um só lugar, Curitiba e região merece entrar no roteiro.

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