Chengdu, Jiuzhaigou e Xining: Roteiro de 4 dias pela China além do óbvio

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Introdução:

Dentro da nossa viagem pela China, esse trecho por Chengdu, Jiuzhaigou e Xining foi um dos mais surpreendentes. Depois de tantas cidades antigas, templos e montanhas, aqui a sensação foi de abrir um novo capítulo.

Chengdu entra no roteiro como a grande porta de entrada de Sichuan, ponto de conexão entre o urbano e a natureza. Jiuzhaigou aparece logo depois como aquele lugar que faz a gente repensar o significado de paisagem bonita. E Xining fecha esse trecho da viagem já no planalto tibetano, com o Lago Qinghai e o Museu da Cultura e Medicina Tibetana como pontos altos.

Neste post, reunimos como organizamos 4 dias de roteiro entre esses três destinos, o que funcionou na prática viajando em família e as dicas que podem te ajudar a adaptar esse trajeto para o seu ritmo.

No vídeo abaixo, você também consegue ver como foi a nossa experiência por Chengdu, Jiuzhaigou e Xining com todos os detalhes.

Como ir e onde ficar

Chengdu, Jiuzhaigou e Xining ficam em regiões diferentes da China, mas se conectam bem em um mesmo roteiro. Chengdu, capital da província de Sichuan, costuma ser a porta de entrada, com aeroporto internacional e muitos voos saindo de outras cidades chinesas. Jiuzhaigou fica nas montanhas de Sichuan, em uma área cênica protegida, e Xining já está no planalto tibetano, na província de Qinghai.

No nosso roteiro, chegamos primeiro a Chengdu, e de lá seguimos de trem até Jiuzhaigou (com um trecho final de van até o vilarejo) e, depois de explorar o parque por dois dias, voltamos a Chengdu para pegar o voo em direção a Xining. É uma lógica que funciona bem para quem quer combinar natureza de alta montanha, cidade grande e cultura tibetana em poucos dias.

Hotéis que nos Hospedamos

Em Chengdu, ficamos no Sheraton Chengdu Lido, um hotel confortável e bem localizado para quem precisa de uma noite de descanso entre voo e trem.

Já em Jiuzhaigou, nossa base foi o Hilton Jiuzhaigou Resort, com quartos amplos e boa estrutura para recuperar as energias depois das trilhas no parque.

Em Xining, nos hospedamos no Sofitel Xining, um hotel moderno, com ótimo café da manhã e estrutura completa, o tipo de lugar que ajuda muito a descansar depois de tantos deslocamentos e da mudança de altitude.

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Na hora de montar o seu roteiro, vale priorizar: ficar bem localizado em Chengdu (com acesso fácil à estação de trem e ao Panda Base), escolher um hotel confortável em Jiuzhaigou para chegar e sair dos passeios sem tanta pressa e, em Xining, buscar uma hospedagem com boa estrutura para descansar bem depois dos dias intensos de viagem.

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Hilton Jiuzhaigou Resort | Fonte: Hilton.com

Dia 1 em Jiuzhaigou: trilhas na base do vale em “Y”

O Parque Nacional de Jiuzhaigou fica na parte montanhosa do norte de Sichuan e é considerado Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1992. Ele é famoso pelos lagos de água cristalina em tons de azul e verde, pelas cachoeiras e pelos vales cercados de montanhas. A área principal do parque tem formato de Y:

  • uma base, que concentra a entrada e alguns dos lagos mais acessíveis;
  • dois “braços” superiores, que sobem para áreas mais altas, com lagos em maior altitude.

A visita é organizada com um sistema interno de ônibus: você entra no parque, pega o ônibus até os pontos mais distantes e, entre uma parada e outra, faz as trilhas por passarelas de madeira ou caminhos bem estruturados.

No primeiro dia, fomos direto para a parte de baixo do Y, que é mais longa e com trilhas mais planas. No total, passamos cerca de 6 horas dentro do parque, sendo aproximadamente 3 horas de caminhada, sempre com pausas para fotos, descanso e, no nosso caso, momentos das crianças brincando com pedras no rio e tentando encostar na água gelada.

Parte baixa de Jiuzhaigou: rios, lagos e trilhas sombreadas

Logo na entrada, já dá para ver por que Jiuzhaigou é tão especial. As trilhas são cercadas por árvores altas, com aquele ar fresco típico de montanha e o som constante dos rios correndo ao lado dos caminhos. Em diferentes pontos, aparecem lagos com água cristalina, onde dá para enxergar troncos no fundo como se fossem desenhados.

Algumas áreas clássicas dessa parte do parque incluem:

  • o Shuzheng Valley, com uma sequência de lagos menores conectados por pequenas quedas d’água;
  • trechos de rio raso, onde dá para ver bem a transparência da água e as pedras no fundo;
  • partes em que o caminho se aproxima bastante das margens, oferecendo uma visão linda das diferentes tonalidades de azul e verde.

O ritmo do dia foi bem equilibrado: caminhar um trecho, parar para observar com calma, tirar fotos, fazer pequenas pausas para descansar e, então, seguir para o próximo ponto de ônibus dentro do parque. Assim, conseguimos aproveitar a base do vale sem pressa, mesmo com a distância total somando vários quilômetros ao longo do dia.

shuzheng valley jiuzhaigou
Shuzheng Valley

Dia 2 em Jiuzhaigou: lagos mais altos e Romance Park

No segundo dia em Jiuzhaigou, voltamos ao parque para explorar a parte de cima do vale. Se o primeiro dia foi dedicado à base do “Y”, com trilhas mais longas e trechos de rio, o segundo dia foi focado nos lagos em maior altitude, que são a imagem clássica que muita gente tem do parque: água turquesa, montanhas ao redor e passarelas passando bem perto das margens.

Parte alta de Jiuzhaigou: lagos turquesa e altitude

Nessa parte do parque ficam alguns dos lagos mais famosos de Jiuzhaigou, em áreas mais altas da montanha. Entre eles, estão o Five Flower Lake e o Long Lake, conhecidos pelos diferentes tons de azul e verde e pela transparência da água, que faz todo mundo parar por alguns minutos só para olhar com calma.

A altitude nessa região passa dos 3.000 metros em alguns pontos, então é normal o corpo sentir um pouco mais o esforço. As subidas parecem mais puxadas, o fôlego encurta mais rápido e as escadas cansam um pouco mais do que em outros lugares da viagem pela China.

Quando parecia que o parque já tinha mostrado tudo, surgia mais um mirante ou mais um lago com cores diferentes. A combinação de montanhas, água clara e florestas em volta faz com que cada parada tenha um impacto próprio, mesmo depois de muitas horas dentro do parque.

Dicas práticas para aproveitar Jiuzhaigou

Como Jiuzhaigou é um parque grande, com altitude elevada e muitos trechos de caminhada, alguns cuidados simples deixam a experiência muito mais agradável.

  • Ritmo e altitude: caminhe no seu tempo, faça pausas frequentes e não tente ver tudo correndo, especialmente nas partes acima de 3.000 metros.
  • Mochila pequena: leve água, lanchinhos fáceis, protetor solar, boné/chapéu e uma capa de chuva leve para mudanças rápidas de clima.
  • Roupas em camadas: use camiseta, segunda camada e um casaco leve que você possa tirar e colocar ao longo do dia, porque a temperatura pode variar bastante depedendo da época do ano.
  • Calçado adequado: vá de tênis fechado, confortável e com boa aderência, já que há muitas escadas, passarelas e trechos mais úmidos.
  • Ônibus interno: use bem o sistema de ônibus do parque para ligar os pontos principais e guarde o fôlego para as trilhas e mirantes que você mais quer aproveitar.

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Five Flower Lake em Jiuzhaigou

Romance Park em Jiuzhaigou: espetáculo noturno sobre a cultura local

Depois de dois dias intensos dentro do parque nacional, fechamos a experiência em Jiuzhaigou com uma noite no Romance Park, um complexo temático-cultural muito conhecido na China. Esses parques existem em várias províncias do país, e cada um deles apresenta um grande espetáculo que mistura teatro, dança, acrobacia, cenografia e tecnologia para contar histórias ligadas à cultura e às lendas daquela região específica.

No caso de Jiuzhaigou, o show é inspirado na estética tibetana e nas montanhas do entorno. Em cena, aparecem referências a guerras, desastres naturais, mitos locais, espiritualidade e momentos importantes da história da província de Sichuan.

Tudo isso acontece em um palco enorme, com projeções, figurinos tradicionais, iluminação bem trabalhada e trilha sonora que alterna entre momentos de muita energia e outros mais emocionais. É o tipo de espetáculo que preenche o olhar o tempo todo, com novos elementos surgindo em cada parte do palco.

Antes ou depois do show principal, vale caminhar pelo complexo do Romance Park. A área é cheia de lojinhas, restaurantes, esculturas e pequenas performances, o que transforma a visita em um passeio completo, e não apenas em uma ida ao teatro.

Para quem já passou o dia dentro do parque nacional, é uma forma diferente de encerrar a noite: em vez de mais trilhas e mirantes, entram em cena histórias, símbolos e personagens que ajudam a entender melhor a cultura local.

Se você quiser incluir o Romance Park no seu roteiro:

  • Verifique os horários do show principal com antecedência;
  • Considere chegar um pouco mais cedo para caminhar pelo complexo, comer algo e aproveitar a atmosfera;
  • Lembre que é um passeio noturno, então vale encaixar em um dia em que você ainda aguente ficar algumas horas fora depois das trilhas.

romance park em jiuzhaigou
Romance Park em Jiuzhaigou

Dia 3 em Chengdu: Parque dos Pandas

Saindo de Jiuzhaigou, voltamos para Chengdu e fomos direto para um dos passeios mais marcantes dessa etapa da viagem: o Chengdu Research Base of Giant Panda Breeding, o centro de preservação de pandas mais famoso da China.

Manhã em Chengdu: Parque dos Pandas

Esse centro de pesquisa fica a cerca de 10–15 km do centro da cidade e é focado na conservação e reprodução dos pandas gigantes e dos pandas vermelhos. A estrutura é grande, com áreas de observação, espaços internos climatizados e trilhas que conectam os diferentes recintos.

Um ponto importante é o horário: o melhor momento para ver os pandas mais ativos costuma ser pela manhã, especialmente entre 8h e 10h, quando eles recebem alimentação. No verão, quando as temperaturas passam dos 30–35 °C, muitos pandas ficam nas áreas internas climatizadas, em torno de 25–26 °C, então boa parte da visita acontece em ambientes fechados, o que garante o bem-estar dos animais.

As áreas dos pandas vermelhos são um destaque à parte. Eles são menores, ágeis e acabam chamando atenção de todo mundo que passa por ali.

No geral, a visita ao centro não é só pandas fofos: é também entender o esforço de preservação por trás de cada recinto, o que muda bastante a forma como a gente enxerga o lugar.

Depois da visita e do almoço em um restaurante local, seguimos para o aeroporto de Chengdu para pegar o voo em direção a Xining, no planalto tibetano. Chegando lá, fizemos check-in no nosso hotel e aproveitamos para descansar, já que o dia seguinte seria inteiro dedicado ao lago e à cultura tibetana.

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Parque dos Pandas em Chengdu

Dia 4 em Xining: Lago Qinghai e cultura tibetana

Xining é capital da província de Qinghai e porta de entrada para o planalto tibetano. A cidade fica em uma altitude mais elevada e já traz outro clima: céu mais aberto, ar mais seco e uma mistura forte de influências chinesas e tibetanas.

Em Xining, dedicamos um dia a dois pontos principais: o Lago Qinghai e o Museu da Cultura e Medicina Tibetana.

Lago Qinghai: paisagem ampla e tempo que desacelera

O Lago Qinghai é o maior lago de água salgada da China, com uma área de cerca de 4.500 km². Ele fica a mais de 3.000 metros de altitude e é cercado por planícies, pastagens e cadeias de montanhas ao fundo.

No dia da nossa visita o tempo estava nublado e chuvoso, então não vimos aquele azul intenso que costuma aparecer nas fotos, mas ainda assim a paisagem impressionou pelo tamanho e pela sensação de espaço aberto. Fizemos um passeio de barco de cerca de 50 minutos, que ajudou a ter noção da escala do lago e a ver as mudanças de cor conforme pequenos rasgos de sol apareciam entre as nuvens.

Depois do passeio, almoçamos em um hotel da região, que ainda estava em construção, mas já funcionando com restaurante. Foi uma pausa boa para aquecer, comer com calma e observar o lago de outro ângulo, antes de voltar para Xining.

Para quem está montando o roteiro, vale considerar:

  • O passeio ao lago costuma tomar boa parte do dia, somando deslocamento, barco e almoço;
  • Em dias frios ou chuvosos, uma camada extra de roupa faz muita diferença, por causa do vento e da altitude.

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Qinghai Lake no verão | Fonte: Chinadiscovery.com

Museu da Cultura e Medicina Tibetana de Xining: o grande Thangka

Em Xining, um dos lugares que mais nos impactou foi o Museu da Cultura e Medicina Tibetana. É ali que está o famoso Thangka gigante, uma obra que, para nós, foi um dos pontos altos de toda a viagem pela China.

O Thangka é um rolo contínuo de pintura tibetana com cerca de 618 metros de comprimento e 2,5 metros de altura, ocupando mais de 1.500 m² de área.

Ele foi produzido ao longo de 27 anos, por aproximadamente 400 artistas, e reúne mais de 183 mil figuras e cenas que representam aspectos da espiritualidade, da medicina, da mitologia e da vida cotidiana tibetana.

Estar diante dessa obra é como ver uma enciclopédia visual da cultura tibetana desenrolada na sua frente. A cada metro, surgem novas narrativas: divindades, mestres, plantas medicinais, rituais, cenas históricas. É

Além do Thangka, o museu também reúne:

  • tapeçarias tradicionais;
  • maquetes de templos importantes do budismo tibetano;
  • peças e roupas que mostram a diversidade étnica da região;
  • e uma parte histórica que explica o papel da Rota da Seda na formação de Xining e do planalto tibetano.

Ao final do dia, a sensação é de ter passado por um resumo muito denso da cultura tibetana, em contraste direto com os lagos de Jiuzhaigou e com o verde de Chengdu. Xining fecha esse roteiro como um capítulo mais introspectivo, em que a paisagem continua importante, mas a cultura e a espiritualidade assumem o protagonismo.

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O Grande Thangka | Fonte: people.cn

Reserve os seus passeios em Chengdu, Jiuzhaigou e Xining

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Conclusão:

Chengdu, Jiuzhaigou e Xining formaram um dos capítulos mais especiais da nossa viagem pela China. Em poucos dias, essa rota mostrou um país bem diferente do que a gente costuma imaginar quando pensa em grandes cidades como Shanghai: aqui, o foco está em vales de montanha, lagos em tons de azul impossível, pandas em Centros de Preservação e um plano de fundo ligado à cultura tibetana.

Em Jiuzhaigou, os lagos transparentes, as trilhas entre florestas e as montanhas ao redor criam uma paisagem que parece cenário de filme, mas é absolutamente real. Chengdu, com o Parque dos Pandas, trouxe um contato direto com um dos animais mais simbólicos da China e com todo o trabalho de conservação que existe por trás.

Já em Xining, o Lago Qinghai e o Museu da Cultura e Medicina Tibetana adicionaram uma camada histórica e espiritual ao roteiro, conectando a viagem ao universo do planalto tibetano.

Para famílias, casais ou viajantes solo, essa combinação funciona muito bem dentro de um roteiro maior pela China. Dá para encaixar esse trecho junto com nossos roteiros por Shanghai,  Luoyang,  Huangshan, Fenghuang e Furong ou Zhangjiajie, criando uma viagem que alterna entre grandes cidades, natureza extrema, vilarejos históricos e experiências culturais mais profundas.

Se quiser acompanhar essa experiência de perto, no nosso Instagram e no YouTube mostramos todos os bastidores, as escolhas de roteiro e os momentos mais marcantes de toda nossa viagem pela China.